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A porta para o futuro

“Pare de entregar funcionalidades e comece a entregar valor” | @rildosan

Não basta entregar software funcionado, se ele não tem valor para as pessoas. “Precisamos parar de entregar funcionalidades e começar entregar valor - @rildosan”

Isso é esperado daqueles que trabalham com métodos, pois é o primeiro princípio descrito no Manifesto ágil. 

Nossa maior prioridade é satisfazer o cliente, através da entrega adiantada e contínua de software de valor 

Todavia, para realizar a entrega de valor temos diversos desafios, entre eles ressaltamos: - Entender o que é valor para as pessoas.

- Escolher as técnicas certas para entregar valor:

Superar estes desafios aumenta a possibilidade de entregar valor. A escolha da técnica certa para entregar valor é fator critico de sucesso, podemos utilizar muitas técnicas, mas a mais apropriada é Análise de Negócio, em empresa ágil, Análise de Negócio Ágil.

Para entender o que á valor, devemos compreender como as empresas criam e gerenciam valor.

Ciclo de Gerenciamento de Valor:

Uma organização existe para criar valor - @rildosan

Uma organização cria valorquando ela desenvolve e lança um novo produto ou serviço. Portfólio de Produtos/Serviços da empresa aumentou. Outra forma de criar valor é incrementar novas funcionalidades em produtos e/ou serviços existentes, é uma maneira de adicionar novo valor.

Principio de uma organização: entregar valor adiantado e contínuo para os clientes – Manifesto Ágil. A organização entrega valor quando os clientes e usuários usam o produto e/ou serviço e percebem valor.

Criar valor não é suficiente — A organização também precisa captar parte do valor que cria. Peter Thiel, autor do Livro Zero ou Um. Uma organização sustentável é aquela que captura valor. Capturar valor significa que existe capacidade de recuperação de valor que é fundamental para seu crescimento e sustentação.

Como Começar:

Tudo começa no desenho do Modelo de Negócio (Business Model Canvas) e da Proposta  de Valor (Canvas de Proposta de Valor) são ferramentas visuais e colaborativas presentes na Análise de Negócio, chamamos isso de “Promessa de Valor”. A empresa promete entregar valor os clientes. Em seguida é feito o Mapeamento do Fluxo de Valor, que ajudar enxergar todas as atividades que geram valor e para possibilitar a entrega de valor. O mapeamento é uma técnica utilizada no Lean.

No momento do Design do Produto de Software identificamos o MMP (Produto Mínimo Comercializável) e MMF (Funcionalidades Mínima Comercializável) que habilita a entrega e captura de valor.

Cadê o MVP (Produto Mínimo Viável)? O MVP tem um propósito de gerar aprendizado para equipe e validar hipótese de negócio. Ele não se preocupa em entregar valor.

Quando utilizamos a dobradinha MMP e MMF estão transformando funcionalidades do software em unidades de negócio de valor, prontas para ir para o mercado.

A partir daí, basta gerenciar o ciclo de valor do produto.

Lembre-se: “Devemos parar de entregar funcionalidades e começar a entregar valor”.

Estudo de Caso:

Vamos apresentar um estudo de caso, um exemplo, para ilustrar como uma empresa pode criar novo valor para serviços existentes.

O Spotify (www.spotify.com) é uma empresa de streaming de música de 8 anos que cresce rapidamente com mais de 2.500 funcionários e mais de 100 milhões de usuários ativos em todo o mundo. O caso que vamos relatar aconteceu em 2015, mas ele ainda é relevante para entendimento do Gerenciamento de Ciclo de Valor.

Case: Discover Weekly (Descobertas da Semana)

- Produto/Serviço: Spotify - Streaming de Música

Necessidade de Negócio:

Em 2015, uma pequena equipe na Spotify teve uma ideia para resolver um problema de longa data:

“Como os usuários da plataforma poderiam encontrar a música que realmente amariam em uma biblioteca de milhões de músicas? E se, eles perguntaram, eles poderiam remover completamente a fricção para você como usuário, usando um algoritmo para combinar seus gostos com as várias bilhões de listas de reprodução criadas por outros usuários e entregar uma lista de reprodução (playlist) nova para você semanalmente?”

O problema:


A equipe estava trabalhando na página Discover da plataforma, o que ajuda os usuários a identificar novas músicas que possam gostar, mas ainda não ouviram.

No entanto, houve um grande problema com o Discover: dificilmente alguém estava usava.

Para alguns usuários era como ir à loja de discos e ter que passar por todas as prateleiras para encontrar as coisas boas", isso era muito chato...para montar uma playlist poderia levar horas...pois era necessário fazer uma verdadeira garimpagem em milhões de músicas e playlists.

Era preciso melhorar a experiência dos usuários na criação de lista de reproduções de músicas (playlist)

Desafios:

- Como recomendar uma lista de reprodução (playlist) de 30 músicas para os usuários recomendação de lista de reprodução de 30 músicas

- Spotify não é simples aplicativo, é uma plataforma digital, ou seja, a lista deveriam ser personalizadas, “escalar” para 100% dos usuários.

Quantidade playlists existentes: 1.5 Bilhão

- 30+ Milhões de músicas. 20.000 novas músicas adicionadas por dia

Solução:

Na Visão de Negócio: Uma solução tem que gerar valor pra empresa, entregar valor para as pessoas (usuários) e ser tecnologicamente viável.


A Funcionalidade:
 Discover Weekly (Descobertas da Semana).

Descobertas da Semana é uma playlist semanal recomendada que reúne 30 músicas escolhidas especialmente para os usuários. Ela é baseada nas músicas que um usuário escuta e também nos demais usuários com gostos similares. Quanto mais uma pessoa usa o Spotify, mais sua playlist fica com cara dela.

Desenvolvimento da Solução:

Em uma empresa ágil, foi rápido e fácil para a equipe realizar uma série de testes. Quando a inovação, agora conhecida como Discover Weekly, fosse implantada apenas alguns meses.

A equipe utilizou recursos avançados de Inteligência Artificial para criar um algoritmo inteligente que pudesse gerar as listas de recomendação baseado em modelos: Filtragem Colaborativa, Processamento de Linguagem Natural e Modelos de Áudio.

Tecnologicamente Viável:

Os 3 tipos de modelos de recomendação da Spotify

A Spotify realmente não usa um único modelo de recomendação revolucionária - em vez disso, eles misturam algumas das melhores estratégias usadas por outros serviços para criar um mecanismo Discovery excepcionalmente poderoso.

Para criar Discover Weekly, existem três tipos principais de modelos de recomendação que o Spotify emprega:

1.   Modelos de Filtragem Colaborativa que funcionam analisando o comportamento dos usuários.

2.   Modelos de Processamento de Linguagem Natural (PNL), que funcionam através da análise de texto.

3.   Modelos de Áudio, que funcionam através da análise das próprias faixas de áudio. Esse modelo garante a inserção na lista de recomendação de músicas que não são famosas ou muito escutadas.

Exemplo da Arquitetura: Fluxo de Dados

Crédito de imagem: Chris Johnson, Spotify.

Os detalhes de como funciona estes modelos estão além do objetivo deste post.

Valor Para as Pessoas:

- Valor para os Usuários:

Um produto (serviço) de sucesso tem diversas “killer differentiating features”.

Elas são funcionalidades que tornam o serviço amado pelos usuários, sem sombra de dúvida a Discovery Weekly é uma destas funcionalidades. segundo o Spotify.

Segundo alguns especialistas o Discovery Weekly mudou a experiência de milhões do usuário, tornando um importante acessório para recomendação de listas de reprodução de músicas.

Muitos usuários do Spotify não são apenas fãs do Discover Weekly. Eles são adictos. Esse é um fato que só ficou claro para a empresa quando sofreu uma interrupção do serviço no outono devido à alta demanda.

"Foi quando percebemos que criamos não apenas algo que as pessoas gostam, mas é um ritual, é um hábito, algo que as pessoas amam”.

-Valor para as Bandas e Cantores:

Muitas bandas e cantores foram impulsionados pela Discovery Weekly. As listas de reprodução algorítmicas também foram uma adição bem-vinda aos milhares de artistas desconhecidos que usam a plataforma em busca de sucesso. Na verdade, Spotify diz que 8.000 artistas na plataforma recebem metade dos fluxos semanais dos usuários da Discover Weekly.

A solução encontrada baseia-se em três tipos de modelos o terceiro modelo dá oportunidade, pois, ele melhora a precisão do serviço de recomendação, esse modelo também serve para um propósito secundário: ao contrário dos dois primeiros dos outros, os modelos de áudio bruto levam em consideração as novas músicas.

Um simples exemplo:

Suponha que você tenha um amigo que é cantor e compositor, e ele colocou uma música no Spotify. Talvez apenas 77 acabem escutando a música do seu amigo, muita pouca gente, então há alguns outros ouvintes para colaborativamente filtrar isso.

Se aplicado o segundo modelo não funciona para ele, pois não é mencionado em qualquer lugar na internet ainda, passa em branco pelos modelos de PNL que não identificam seu amigo.

Por sorte, os modelos de áudio bruto, terceiro modelo, não discriminam entre novas faixas e faixas populares, por isso, com a ajuda deles, a música do seu amigo pode acabar em uma playlist Discover Weekly ao lado de músicas populares!

Observação relevante: O Spotify é uma plataforma digital, diferente dos modelos tradicionais de software, ele conecta dois pontos, conecta os músicos e pessoas que querem escutar músicas, é velho e bom modelo produtores e consumidores. Quando o valor é gerado para as pessoas, ele deverá ser gerado para usuários (consumidores) e para os músicos (produtores). Plataforma Digital é fascinante, mas é tema para outro post.

Valor para Negócio: Geração de resultados (outcomes) para o negócio.

Quando analisamos a geração de valor para o negócio, temos que levar em consideração alguns business drivers (diretrizes de negócio):

- Aumento de Receita

- Aumento da receita por usuário

- Mitigação de Risco

- Aumento da Base de Usuários (ou Clientes)

- Redução de custos

- Otimização de tempo

- Manter o Compliance (conformidade legal)

- Satisfação do Cliente

- Melhorar a experiência do usuário

- Retenção de clientes

- Inovação de produtos e/ou serviços.

O valor gerado necessariamente deve ter “link” com os drivers para que ele contribua de forma efetiva com a estratégia da empresa.

Voltando para o exemplo a funcionalidade Discovery Weekly, é que chamamos de MMF legitima, ela adicionou novos valores* para o negócio:

- Milhões de novos clientes

- Aumento da receita derivado de novos clientes

- Aumento da retenção de clientes

- Melhoria significativa na experiência dos clientes

*Infelizmente não temos os números para apresentar, mas dá entender a razão porque eles não divulgados, são estratégicos no cenário concorrido de Streaming de Música.

Discover Weekly demonstrou resultados tão promissores que o Spotify está investindo mais fortemente em listas de reprodução baseadas em algoritmos com o objetivo de implementar mais nos próximos seis meses.

Este é um exemplo claro de como uma funcionalidade de um produto (ou serviço) existente pode entregar e criar valor (adicionar novo valor).

A visão de negócio permite identificar com mais facilidade as funcionalidades MMFs, isso mostra tão quão é poderosa a Análise de Negócio é, e quando aplicada da forma correta ela se torna essencial para geração de valor.

Na Análise de Negócio Ágil, após o mapeamento de valor de cada funcionalidade, será necessário ordena-las com base no valor de negócio. As funcionalidades com maior de valor de negócio devem ficar no topo do Backlog do Produto e devem ser as primeiras a ser entregues.


Você pode pensar: Não desenvolvo produto de software na dimensão (escala) e nem com complexidade do Spotify. Entendo, mas a geração de valor, não está ligada a dimensão e muito menos a complexidade do produto, ela está intimamente conectada com efetivamente do produto e como ele contribui para melhorar o crescimento e sustentabilidade da empresa.

Quer mais aprender como desenvolver produtos de software que entregam valor, participe do nosso Workshop Análise de Negócio Ágil.


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Referências:

- Software by Numbers: Low-Risk, High-Return Development - Autores: Mark Denne e Jane Cleland-Huang

- Lean Startup - Autor: Eric Ries

- Manifesto Ágil – http://www.manifestoagil.com.br/

- Business Model Generation – Autores: Alex Osterwalder, Yves Pigneur e etc tal

- Value Proposition Design - Autores: Alex Osterwalder, Yves Pigneur, Greg Bernarda e Alan Smith

- Gerenciamento do Ciclo de Valor – @rildosan eTecnologia.com.br

- Guia BABOK v3.0 - IIBA

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